quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Up and Coming Tour

Escrever o óbvio é tomar tempo de mim e do leitor. Assim, de forma sucinta, além da diversão, a respeito de segunda-feira, fiquei contente de não ter trocado o ingresso da pista pelo da pista vip, pois esta tinha mais pessoas por metro quadrado que o resto do estádio e ia até a metade do campo (ao contrário das de outros shows, em que sua área é menor). Os tapumes em sua lateral não deveriam ser permitidos – como VIP eu estaria indiretamente concordando com isso.

A fauna à minha volta deixou claro que também de longe ninguém é normal, mas todos convivem bem, apesar do tiozinho mineiro que queria briga com quem fosse mais alto que ele e ficasse em sua frente.

A quem interessar possa – oportunidade de negócio para eventos em dia de chuva: “guardo seu guarda chuva, pague na retirada”. Na pior das hipóteses, se não vierem buscar, você terá um bom estoque para vender no próximo temporal.

A boa notícia foi saber que apesar da decoração de natal os passarinhos do Trianon estão conseguindo dormir: passei por ali de madrugada e as lâmpadas haviam sido apagadas.´

Após praticamente oito horas em pé, cheguei em casa contente e sem cansaço, às 2:50.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Agora voltando no tempo


Imagine uma cidade de interior cuja referência no guia de vigem seja “passagem para ponto turístico x”. Cheguei às 14:00 e o guichê que vendia a passagem para tal ponto turístico estava fechado para almoço até 14:30. Em frente à tabela de horário dos ônibus, pendurada no fundo do guichê de luz apagada, funcionava um ventilador de mesa. As pessoas amontoadas desviavam do ventilador na tentativa de ler alguma informação. A foto acima foi tirada na rodoviária. Mesmo assim, resolvi conhecer a cidade.


Quinze minutos foram suficientes para conhecer a rua do comércio, a praça com o coreto e surpreender-se pela boa conservação dos prédios antigos, em estilo português, alguns deles privados. Restaurante, aberto, só achei o do hotel, mas não considerei confiável a informação de que cozinhariam rápido o que eu pedisse. A atendente do caixa do supermercado recomendou-me almoçar na rodoviária, mas esta definitivamente não era uma opção para mim.

Retornando para a rodoviária, após ter saboreado meus biscoitos e refri admirando pescadores no rio, fiquei 50 minutos na fila até ser atendida. No contexto observado posteriormente concluí que tive sorte: a passagem comprada correspondia ao destino solicitado (conheci um casal que teve que voltar pois descobriu no desembarque que estavam no ônibus errado) e consegui comprar a passagem para o próximo ônibus (devido a fila, quem só tinha cartão como meio de pagamento teve que indispor-se com o motorista para fazê-lo esperar).

Vários foram os absurdos vivenciados em tão pouco tempo, resumi para não ficar enfadonho: a irritação inicial converteu-se em perplexidade por ainda existirem lugares e pessoas como aqueles. Por motivos óbvios não estou indicando por onde estive...
Em um reino não muito distante do descrito, mas também de um ritmo diferente do que estou acostumada, "entrei no clima" e brinquei em seu jardim. A foto abaixo é a minha homenagem aos que me aguentaram no feriado repetindo igual criança (afinal, sentia-me retornando no tempo): "quero entrar no castelo", "já entrei no castelo, sabia?", "tira uma foto de mim no castelo?", "você já viu as minhas fotos no jardim? E as no castelo?".


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A relevância do título de eleitor

Agora posso contar: quando fui votar o eleitor que estava na minha frente, de nome Fernando, foi informado que constava que ele já havia votado. Ele olhou o caderno e constatou que além do sistema que recusava seu título, seu comprovante de votante não estava ali. Observou também que outro Fernando, abaixo de seu nome, havia assinado mas não havia levado o comprovante. O mesário, então, digitou o nº do que levou o comprovante errado e percebeu que para o sistema ele não havia votado. Bingo!

A mesária registrou o ocorrido como "o Sr. Fernando esqueceu de levar o comprovante dele", afinal, todos concordamos que a urna não podia ser anulada, a rigor, o procedimento correto considerando a possibilidade de fraude. Não adiantava a mesária ficar dizendo "foi no meu horário de almoço". Tinha só duas pessoas e nenhum fiscal de partido, muito diferente de eleições de anos atrás, com participação de fiscais dos mais diversos partidos, me senti a própria marionete e tive reforçada a percepção de que ninguém estava levando a sério estas eleições; que medo a escala de valores das pessoas estar negligenciando a democracia...

O Erro relatado ocorreu porque o distraído Fernando não levou o título de eleitor, cujo número é digitado antes do voto, mas deixou de ser obrigatório na véspera. Ao apresentar o RG o mesário utilizou o comprovante de votação para saber qual número deveria digitar. Como foi destacado o comprovante errado, votou em nome de outro por engano. Sorte que o outro foi votar, se não tivesse ido ele ia ter contas a pagar com a Justiça Eleitoral. Contudo, permaneceu com um comprovante que não lhe servirá para nada e deixou seu xará também sem comprovante.

Refleti muito sobre isso, até mesmo se deveria publicar a respeito, mas decidi que não poderia manter o "segredo" entre eu e os demais três ali presentes.

Lembrei-me de um documentário sobre o julgamento da liberação do aborto de anencéfalo, no qual a mãe, de origem humilde, chamava-se Severina, mesmo nome de sua mãe e de suas avós, e era casada com um Severino, cujo pai e avós tb chamavam-se Severino. E se todos estiverem na mesma seção eleitoral e fossem votar só com o RG em momentos diferentes? Pura sorte o mesário acertar...

Temos a vocação legislativa de protelar aspectos polêmicos das matérias reguladas e polemizar o que está estabelecido: resta ao judiciário legislar. Minha experiência profissional há anos vem me mostrando que qualquer planejamento e estruturação exige o desenho do todo, como todos "ses" para haver chance de não ter erro, antes de se escrever uma política. Qualquer melhoria tem que considerar o esboço anterior, geralmente a questão já foi risco discutido e assumido anteriormente.

O título de eleitor certamente não existe por acaso, a decisão de torná-lo opcional foi mais uma emenda desestruturando um sistema que funcionava bem, planejado em seu todo.