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sábado, 4 de novembro de 2017

Entendi o cinema mudo

Soube da programação por acaso. Noite linda de primavera, lua cheia e 26°. Fui confiando na curadoria do evento: apenas sabia que um filme seria projetado na parede externa do auditório do Ibirapuera enquanto a orquestra tocaria ao vivo (foto acima) para celebrar o final da 41a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

O filme chamava-se "O Homem Mosca", de 1917. Uma comédia de riso fácil com a magia da música. Se fosse em um telão com reprodução do som (a forma como os filmes antigos nos são acessíveis) talvez eu risse menos.
L
Lembrei-me das aulas de livreto, em que o professor contava que as óperas eram apresentadas entre piqueniques com animadas conversas, interrompidas para ouvir os cantores famosos da época, que muitas vezes cantavam músicas sem qualquer contexto com a ópera, só para exibir sua voz. 

Tal hábito de conversar com música e tendo alguma cena para distração foi levado pelos imigrantes italianos a Nova York, popularizando o cinema e atrapalhando quem ia às sessões para acompanhar o filme: a introdução de novas tecnologias (como som) ajudou a manter o público com poder aquisitivo nas salas de cinema, estratégia utilizada até hoje.

Na foto, há pessoas de pé: são vendedores ambulantes que insistiam em berrar e tirar a visão do público. Para quem não conhece o lugar, senta-se na grama e de qualquer ponto avista-se o palco. Será que alguém comprou água ou cerveja durante os 60 minutos de exibição? Não vi ninguém comprando.

Os vendedores deixaram de se divertir e ainda por cima atrapalharam a diversão de seus potenciais clientes, em uma demonstração de que não basta acesso (à cultura, gratuito) é preciso permitir-se acessar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O "apagão" foi mais justo

No final do século passado, sem prévio aviso, faltou luz em grande parte do território nacional, por mais de hora. O evento ficou conhecido como apagão. Na época, a partir do histórico de consumo, quem economizasse recebia desconto na conta de luz e quem consumisse a alíquota mínima (realidade de São Paulo, em que use ou não paga-se 50Kws) ficaria com o crédito e nada pagaria pela conta.

A situação foi a oportunidade para inclusão no mercado das lâmpadas econômicas (hoje, a maioria o são) e economizar consumo tornou-se muito fácil. O investimento que faltou à infraestrutura pública, o consumidor fez em casa.

Quinze anos depois, o risco de apagão voltou a ser uma ameaça. A falta de infraestrutura não foi admitida e coube às mudanças climáticas a responsabilidade pelo iminente caos. A medida governamental, mais uma vez, transferiu o custo da ausência de infraestrutura – porém com outro mecanismo: aumentando a tarifa sem qualquer desconto.


Não são todos os Estados que definem tarifa mínima. Já reclamei para a Aneel e disseram que pode. Por exemplo, aqui em São Paulo, pessoas que economizam e usam menos de 50Kw estão pagando a bandeira vermelha (custo mais alto) pelos 50Kw e nada economizam. No meu caso, praticamente pago o dobro por uma quantidade de energia que nem uso, nem posso compensar nos meses seguintes. 

sábado, 6 de junho de 2015

Mexendo onde não deve

Quando um assunto do momento passa repentinamente ao esquecimento, eu desconfio.

Pararam de falar em terceirização na mídia. Nenhum dos argumentos a favor da permissão da terceirização da atividade fim das empresas é convincente. Hoje só não terceiriza quem não quer, há várias formas legais de se estruturar uma operação; fazer ou não fazer é uma questão estratégica. Assim como ocorrerá caso a lei seja alterada, o que garante o sucesso da terceirização é a saúde financeira do terceirizado. Só.

Flexibilizar a regra do contrato de trabalho temporário, permitindo-o sem a interferência da empresa intermediadora, geraria muito mais oportunidades sem extinguir o negócio da contratação de mão de obra terceirizada.

Precisa mudar também a ideia de que trabalhar por pouco tempo com alguém “suja a carteira” Advertência, suspensão, demissão por justa causa com certeza acaba com a reputação de qualquer um. 

Um outro argumento: de nada adianta permitir licença gestante de 6 meses se o tempo máximo do trabalhador temporário é também de 6 meses. Mesmo que a funcionária marque o dia do nascimento da criança e não emende a licença com as férias, um período de transição entre quem chega e quem sai é necessário.


O fato é que o pessoal vai aprovando aqui e ali os textos sem preocupar-se com a aplicação deles e a mídia só noticia alguns, na véspera da votação, sem tempo hábil para formação de massa crítica. Lei que não tem como ser cumprida precisa ser modificada antes de se pensar em suprimir qualquer direito.

sábado, 30 de maio de 2015

Sobre o que andam falando por aí, sei não.

Se educação é um direito de todos, por que é permitida greve de 100% dos professores? Se não haverá aula, que haja acesso dos alunos à escola para que não fiquem ao léu enquanto os pais trabalham. Se eu fosse gestora faria vídeo educativos e deixaria os alunos assistindo - talvez até aprendessem mais. Já que não precisa de nota, já que pode faltar que não reprova, deixa ao menos assistir filme educativo. Professor tira dúvida após assistir vídeo e fazer exercícios. 

É impressionante a quantidade de criança pedinte ou trabalhando de engraxate, camelô etc na região central da cidade. Tem um garoto de uns 12 anos que debulha milho como ninguém na Paulista esquina Pamplona. Ele ajuda algum familiar que fica por ali à noite e fica sozinho à tarde fazendo tudo que não deveria: controla o fogo no liquinho, mexe com faca e fica de pé ao ar livre com pombos à volta, a poucos metros da lixeira mais suja de toda a avenida.
* O *
Sindicato só não acaba porque é interessante para o empregador que ele exista, um ajuda o outro. Já imaginou ter que falar sobre aumento com cada um dos funcionários? Greve é modelo ultrapassado, um oba-oba para manter a estrutura atual e não dar espaço a trabalhadores descubram uma forma atualizada de reivindicação, o que atrapalharia aos que hoje negociam. Sem greve o nº1 do sindicato não tem visibilidade, não é por acaso que as votações pela manutenção da greve são feitas no horário do expediente (quem é contra e está trabalhando não tem como ir) e sem controle de quem está votando (vá na Paulista e levante o braço se houver curiosidade).
* O *
A permissão para que seja possível terceirizar a atividade fim das empresas e não apenas a atividade meio é outro blablablá do momento. Já são tantas as possibilidades de se fazer isso atualmente, sem qualquer mudança na lei, que a aprovação da nova regra prejudicará certamente os sindicatos mais fortes, que perderão arrecadação para outros sindicatos. Salário é uma questão de economia: se a economia cresce os salários melhoram, se a economia não vai bem, o mercado paga menos ou nem contrata.

De todos os argumentos que li e ouvi, nenhum pareceu-me conexo com a dita “permissão para a terceirização”. Muito mais razoável seria desburocratizar as condições do trabalho temporário. Por qual motivo o contrato temporário ou é período de experiência ou precisa ter um intermediário para fazer a contratação? Por que se for renovado tem que ser por igual período? Qual o problema de contratar alguém por um período previamente ajustado que seja superior a 6 meses? Nisso ninguém fala – e tornaria tão mais simples e barato contratar.


sexta-feira, 24 de abril de 2015

mais uma redação infeliz

No dia 16 de março foi publicada no diário oficial do município de São Paulo a lei 16.138, que entrou em vigor no mesmo dia. 

A partir de 16 de março "lan houses, cyber cafés e demais estabelecimentos que disponham de computadores para uso no local ou que estejam à disposição da população para locação..."

OBS 1: wifi e locais que disponibilizam internet não estão englobados, já que o enfoque é o equipamento e não o serviço de internet

"...deverão conter aviso, adesivado ou em forma de plaqueta..."

OBS 2: pode ser em qualquer tamanho, em qualquer lugar - se papel impresso será considerado plaqueta fica a critério do fiscal (êta negociação dispensável)

"...com os seguintes dizeres: Aviso aos usuários: utilizar computador sem moderação pode causar dependência e problemas psicológicos - Utilize com Moderação."

OBS 3: o que é uso moderado? Do computador ou da Internet? O conteúdo faz diferença na contagem das horas? 

Não localizei a exposição de motivos do projeto de lei 219/14, que lhe deu origem - talvez lá haja explicação, lendo o texto ocorre-me duas: estatística para a vereadora usar nas próximas eleições (número de projetos aprovados, indicador que ONGs adoram) e arrecadatória.

Explico. Alguém discorda que o usuário trazer o equipamento de casa para usar um wifi (pago ou gratuito) não diminui a sua vulnerabilidade em relação a quem vai ate um lugar; ao contrário, poderia já ser indício de dependência? Pois é, se a ideia fosse proteger o usuário o aviso teria que ser extensivo até na comercialização do sinal de internet. 

Na prática, nem as bibliotecas da prefeitura estão com o aviso. Sua ausência gera 5 mil reais de multa, atualizáveis anualmente pelo IPCA, se bobear valor superior ao faturamento líquido de quem disponibiliza o serviço.

sábado, 7 de março de 2015

Tem conserto?

Em 2008, em Atenas, chamou-me atenção a inexistência de camelôs. Na época já havia protestos em frente ao parlamento, mas a ideia do tamanho da crise ainda não estava formada.

Admirei-me da inexistência da economia informal até assistir um rapa. Só neste momento percebi que pessoas que andavam com sacolas de compras eram vendedores. Dentro das sacolas de grife, devidamente ajeitadas, caixas de perfume.

O modelo de negócio chega agora ao Brasil, na Av. Paulista trios aproximam-se com as tais sacolas, oferecem para você sentir o aroma do perfume e depois oferecem para comprar por um preço menor do que o da loja – sem pagar imposto o mínimo é que fosse menos que nas lojas, não?

Em um lugar que passou a ser povoado por vendedores ambulantes de objetos de origem duvidosa nos últimos dois anos (coincidentemente após o fechamento da feira da madrugada), onde crianças trabalham de engraxate e adolescentes não raro ficam sozinhos servindo o milho cozido (mexendo no fogo e com faca), a camuflagem na venda surpreende.

Lembro-me de já ter visto expostos ao sol no centro da cidade, perfumes e cosméticos caros embalados em isopor e papel filme, como se fossem comida: uma aparência terrorista a qualquer marca. Se hoje não tem mais é porque as faixas de comissão mudaram e grandes compradores podem se estabelecer em lojinhas oferecendo melhores preços que os vendedores porta-a-porta. Pesquisando, pode ser mais barato comprar deles do que da própria indústria.

Esse é só mais um exemplo do quão errada é a nossa tributação: a Prefeitura fiscaliza, mas é o Estado quem deixa de arrecadar ICMS com a venda do produto e a União com IR e quem se expõe sem INSS.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Reclama e piora, tenta entender e fica pior.

Achei que fosse notícia daqueles jornais que só contam absurdos fictícios, mas realmente a Câmara de Vereadores de São Paulo conseguiu se superar: aprovou dia 11/2 o transporte de animais até 10 kg nos ônibus municipais. O ônibus, que ainda não tem o degrau rebaixado, que não tem lugar para guardar nem uma sacola de supermercado, vai abrigar animais em contêiner de fibra de vidro ou similar (plástico é similar?).

Lendo o texto e as justificativas surgiram questões quanto à operacionalidade do que foi aprovado:

1 – O passageiro tem que oferecer o certificado de vacina: para quem? O motorista sabe conferir? Sabe ver se um pedaço de papel é realmente o certificado de vacina? Se a pessoa subir no ônibus sem o certificado, o que acontece com ela? Nada? Mesmo se o animal estiver sem a vacinação em dia? Porque se tanto faz, qual o motivo da exigência?

2 – O animal tem que ter no máximo 10 kg e o recipiente tem que estar limpo. Tá – vide as mesmas dúvidas acima.

3 – O transporte não pode prejudicar a comodidade dos passageiros. Uma mochila escolar eu tenho experiência de que já incomoda: se colocar no chão entre as pernas as pessoas não passam com facilidade, se deixar na frente fica batendo na cabeça de quem está sentado e se deixar nas costas(apesar do risco de ser aberta) – aí é que ninguém passa. Outra questão: música já é consenso que atrapalha o conforto dos demais usuários, latido vai poder? E se o cachorro não se calar, faz o quê? É possível dizer que não quer lambida sem comprar briga com o dono? Basta um reclamar para o motorista parar e expulsar animal e dono ou todos terão que curtir a discussão durante a viagem?

4 – O animal pagará pelo assento utilizado. Êta redação ruim. Se ficar no chão não paga nada? Ok, sei que quem viaja em pé paga o mesmo, mas teremos que ceder o lugar para o contêiner com o animal? Onde, a não ser nos ônibus com espaço para cadeira de rodas e sem o cadeirante, é possível colocar uma caixa com um animal dentro sem atrapalhar (muito) os outros? Se alguém souber, diga. Também vou apreciar relatos de mães em ônibus com seus bebês em carrinhos.

5 – Cada ônibus levará o máximo de 2 animais: se o motorista não cumprir, mil reais de multa. Isso significa que o motorista terá que parar o ônibus e explicar que não pode subir porque já tem 2, senão – como provar que já tinha 2 e não ser multado pela reclamação do passageiro?

O único substitutivo apresentado limita o horário de utilização: das 6hs às 10hs e das 16hs às 19hs não pode. Isso em uma cidade que quer os estudantes indo e vindo da escola de ônibus (este ano passou a ser de graça para quem está na escola pública, recebe bolsa/financiamento ou teve ingresso por cota social). Se a comissão de trânsito entende que o transporte público é tranquilo durante o almoço ou após às 19hs – gostaria de saber onde vivem.


Resumo: os ônibus receberão até dois animais mas não possuem degrau rebaixado e poucos recebem um cadeirante por vez (nem nas linhas que passam pelo aeroporto de Congonhas há espaço para se subir com mala: na sorte, ou é a mala ou é o cadeirante – como acontece no ônibus que vai para Guarulhos) - algo tão coerente quanto os ônibus terem ar condicionado, aumentando o gasto do combustível com pior índice de enxofre no mundo enquanto continuarão sem filtro, que é mais barato e fácil de instalar na frota.  

Tudo isso se o prefeito for na onda e sancionar o projeto 131/2013

domingo, 7 de dezembro de 2014

Ainda não será na nova geração

- Tia, você tem vibrador?
- Você costuma perguntar aos homens se eles têm revista com foto de mulher pelada em casa?
- Não.
- E de onde saiu essa pergunta?
- De umas conversas aí.
- Perguntar a uma mulher se ela tem vibrador é como perguntar a um homem se ele tem revista de mulher pelada. Não tem motivo para essa cara de deboche: a resposta não diz muita coisa, nem interessa a ninguém. Pode ter e não usar. Pode não ter e gostar. Esse é um assunto íntimo que não diz respeito às outras pessoas. Não vou responder, volte a brincar com seus amigos.

* * *

Bem, este seria um diálogo possível, porém o que eu ouvi foi;

- Tia, você tem vibrador?
- O que é isso moleque? Que falta de respeito!
E o pré-adolescente saiu correndo com um risinho.

A tia era mais geração Y que geração X - por maior que tenha sido o susto desse tipo de pergunta em ambiente público, perdeu a oportunidade de tornar simples o que a sociedade complica.

domingo, 16 de novembro de 2014

Diálogo Real

- Professora, o fulano não quer falar com nóis.
- Com nós...
- Professora, o fulano não quer falar com nós.
- Já vou lá.
Ante minha cara incrédula, a professora, formada em letras, disse:
-Ah! Eu corrijo mesmo.

Como havia outros professores por ali, preferi não prolongar a conversa perguntando o motivo da correção não ser "falar conosco" e fiquei com mais um exemplo para ser contra a estabilidade do funcionário público: o contrato deveria ser por prazo determinado, sujeito a renovação mediante avaliação (atinge nota mínima, continua, não atinge, dá lugar a outro, tem nota alta, ganha aumento).

domingo, 2 de novembro de 2014

Nova versão, antigos fatos

O DJ de um CD só denuncia que a festa é, sim, infantil. Reclamar do horário? Se os adultos de lá tivessem noção não deixariam as crianças acordadas até tarde e acostumadas com tamanho ruído. A qualidade do som, no entanto, sequer permitia que eu compreendesse a letra. Até que uma eu conhecia...mas tão politicamente incorreta quanto aqueles pais. Tocou tantas vezes que consegui pensar em melhor versão:

Atirei água no gato - to
Mas o gato - to
Não correu - reu - reu
Dona Xica - ca
'Dimirou-se - se
Do pulô, do pulô
Que o gato deu.

Ficou melhor? Ou em período de estiagem pensar em usar água para o que não for essencial também não dá?

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Transporte Público - a grama verde do vizinho, já que nele é refresco.

Desde o  primeiro dia percebi que precisava escrever sobre transporte público. Foram tantos os sustos (com este e outros assuntos) que só agora consigo organizar as ideias - pena que boa parte já estou esquecendo. Logo que cheguei, no aeroporto, providenciei o ticket de trem. No bilhete, ao invés de estações ou cidades, números. Nenhum horário, mas "válido a partir de + hora e data da compra". A sorte foi ter ido no guichê (depois soube que custava 2 Euros a mais, mais de 10% de acréscimo se comparado com a máquina que só aceita notas de até 20 euros). Tivesse eu comprado na máquina, não conseguiria chegar onde passaria o trem, nem identificaria o seu horário. Onde pensei que fosse, ninguém sabia se o próximo trem era o meu - muito menos consegui ler o nome que constava na frente do primeiro vagão; quando fui conferir no mapa já estava me confundindo com as cidades próximas. Subi tão confiante que bastou sentar para me pedirem informação, pois o som que informava conexões estava inaudível. No segundo trem (houve conexão) pediram para que eu respondesse pesquisa de satisfação do cliente, avisei que estava chegando naquele momento, mas o funcionário disse-me que precisava entrevistar todo mundo. Consegui dizer que considerava importante ter o fiscal dentro do trem, reclamar da falta de espaço para bagagem, mas esqueci de reclamar do que muito veio a me atrapalhar: as estreitas escadas para subir e descer dos vagões.
Qnt a mais vc pagaria para subir essas escadas?
Meses depois, acredito ter entendido a lógica: O ICE (alta velocidade) e o Intercity (que permite reservar lugar) são os trens que os turistas pegam e praticamente não atrasam. Depois há os regionais (mais de um Estado, mas com curta distância) e os locais. Os locais, que param em todas as bibocas, não têm primeia classe nem escada - e há muito espaço para rodas (bicicletas, cadeirantes e andadores). Peguei o local uma vez - o suficiente. O trecho que fazia em 50 minutos no regional durou mais de 3 horas no local. Nem dá para dizer que ele ande mais devagar, que seja possível ver melhor a paisagem, a diferença é o tempo em que ele fica parado nas principais estações e o fato de parar em todas. Atraso é a regra nos trens regionais e locais. Alguns fazem piada sobre isso, mas não chegam a reclamar. Dependendo do trecho e do horário, é tão lata de sardinha quanto o nosso transporte na hora de pico, com o peculiar detalhe de que nós somos mais limpinhos. No dia em que vim embora vi um ICE em Mainz, indo a Hamburgo, tão lotado que desejei poder voltar outro dia para saber se era sempre assim, ou conhecer mais o idioma para perguntar o motivo de tantos engravatados contorcidos entre andadores e bicicletas.

O fato é que os estudantes só usam o trem no trecho em que não pagam (a matrícula na faculdade dá direito ao transporte que passa em frente ao campus), os outros trechos são feitos de carona (praticamente não usam ônibus que não seja de linha - e mesmo o de linha nunca sabem o preço ou por onde passa). Fiz minha inscrição no Blablacar, site de caronas coletivas que foi recomendado e, um dia antes da viagem, quem ia me dar carona cancelou porque havia batido o carro e estava no hospital. Não tentei uma segunda vez. O discurso é ser ecológico, um carro com 4 pessoas é melhor do que 4 carros na estrada, pode ser mais divertido (você tem que colocar o quanto gosta de conversar, se aceita ouvir música e se fuma) - tem o mesmo poder de convencimento das explicações de que não há crise no país ante tantas pessoas procurando garrafas plásticas nos lixos ou das etiquetas vermelhas "Frisch" avisando que o produto in natura é fresco.


Bombeiros correram para debaixo da aeronave antes da foto
Na volta (Lufthansa), houve overbooking que não chegou a atrasar o voo. Após decolarmos, fomos informados de que havia um problema na asa do avião e teríamos que retornar. Foram três horas dando voltinha para despejar combustível (ainda estou em dúvida se escrevo perguntando se houve compensação deste impacto ao meio ambiente). Durante o dia eu ficaria radiante, acho linda a vista dos alpes suíços. A cena da chegada foi igual a dos filmes. Nos deram hotel, mas ainda não compreendi a diferença de tratamento entre os passageiros (eu ganhei taxi e não fui informada que haveria janta, quem chegou no ônibus fretado, uma hora depois, jantou). Foram 4 horas de sono e novo embarque. Fila para marcar a conexão. Mesmo avião, ninguém arrumou ou limpou, e uma passageira passou mal. Médicos vieram, ela desembarcou, as malas foram loclizadas - 1:15 aproximadamente testando nossa educação. Depois, forte turbulência em todo território brasileiro, de 3 a 4 horas. Não consegui comer o lanche e o comissário fez questão de recolher o pratinho em que eles estavam - desci da aeronava fazendo malabarismos. Nem passei no freeshop, tinha 50 minutos para o próximo voo. Só que este não era um dia para ser fácil, no eterno Galeão o desembarque é no 1º andar e o embarque no 3º: dos 4 elevadores, só 2 funcionavam - sempre dando prioridade aos cadeirantes. Especificamente, uma senhora alemã subiu e desceu enquanto eu esperava. No Brasil tudo deu certo, furei a fila, o funcionário nem percebeu que eu só tinha direito a um volume e deixou eu despachar 2, o voo saiu na hora e, até agora, não entendi porque o taxi que me deixou em casa acrescentou 3 reais ao taxímetro, após 30 horas de viagem resolvi nem questionar para chegar logo em casa.

* * *
 

As fotos das obras não ficaram boas, eis um breve resumo: o verão é a única época em que é possível fazer obra. Se planejar errado tem que esperar o ano seguinte, logo tudo para em função da obra - que só acontece em horário comercial. Em Freiburg, o cruzamento principal no centro da cidade, onde é possível fazer conexão das 5 linhas de tram, estava fechado. Você desce e tem que adivinhar onde a linha que você estava continua. Até tem placas e mapas, só que estão com etiquetas e pichações. Evite a cidade até outubro se não quiser ficar carregando mala/mochila. Em 3 meses, na estação de trem do campus, foi instalado um novo trilho e colocado letreiro e auto-falante. Cheguei com 2 e fui embora com 3 plataformas. No final, a estação de trem seguinte começou a ser reformada e, com isso, colocaram ônibus para fazer a ligação entre as estações e encurtaram a linha, obrigando-me a fazer uma baldeação para chegar em Frankfurt. O pior, no entanto, é que tem menos ônibus do que trem, quem não sabia (a maioria franceses) fica esperando mais de hora pelo ônibus. No dia que voltei das férias cheguei à noite, chovia muito e o pessoal, sem reclamar, saiu na chuva e ficou esperando no ponto do ônibus pelo menos 46 minutos. Tenho dúvida se aqui as pessoas aceitariam tão fácil essa condição.



segunda-feira, 23 de junho de 2014

NA CORRIDA

Esperei o feriado passar para ver se os costumeiros críticos da violência manifestavam-se. Só silêncio. Por aqui, comentaram da ausência de protesto e do clima de festa. Precisei comentar que a imprensa local (daqui) omitiu as BMWs amassadas. Conclusão 1: é a pancadaria da polícia que tem o seu espaço garantido na mídia, não o protesto. Conclusão 2: a quebradeira isolada, sem polícia, foi a superação de toda e qualquer burrice, para sempre haverá um fato real e incontestável a ser alegado como prova de que a origem da violência não é a polícia e que ela tem que ficar próxima às multidões.
 * * *
Achei um álbum de figurinha sensacional, uma promoção do supermercado. Tem foto dos ecossistemas brasileiros (ok, colocaram cerrado e pampas com uma cor só e na mesma legenda). Tem foto do tatu bola, de meninos jogando futebol no Leme e explicam que comer menos carne e embutidos ajuda a preservar a floresta. Só não achei as figurinhas, que servem também como carta de jogo e podem ser montadas e desmontadas em tabuleiros que podem ser destacados.
* * *
Venho tendo aulas de sistemas fotovoltaicos. Lição nº 1: cuide onde vai instalar para que não tenha sombra. Vi a foto do Mineirão e não acreditei: colocaram entre cada “string” (nem desconfio o nome em português) um muro fazendo sombra. Só para vocês terem uma ideia, em laboratório fizemos simulações e cobrindo 6% de uma célula (é um dos retângulos que formam a “string”) a produção do conjunto ficou reduzida em 40%, uma sombrinha boba e você recebe só 60% do que poderia – isso sem contar que para a energia solar valer a pena ela tem que ser consumida enquanto é produzida, pois estocá-la ainda é muito caro (ou fizeram investimento que ninguém faz ou não poderão usar a energia limpa no que mais consomem, nos jogos noturnos).
* * *
E o que são essas coligações políticas? No centro acadêmico daqui vota-se no aluno. Depois de eleitos (tem um número predeterminado de mais votados) eles decidem quem faz o que no grupo. Sei que no Brasil já houve algo parecido e não deu certo, mas do jeito que esse povo está se comportando, ia ser mais democrático escolhermos o vice, algo no estilo “vote no seu candidato do executivo: quem levar mais voto vira chefe, o 2º lugar ganha o vice”. Partido político hoje tá mero CNPJ.

domingo, 22 de dezembro de 2013

E culpam a burocracia, aff.

1º dia (após uma semana procurando com quem falar):

- Oi, vim saber como é o procedimento...
- Nossa, é super tranquilo, fazemos tudo por aqui, pode deixar.
- Mas você não precisa nem anotar os dados, vai se lembrar de cor?
- Ah, pode deixar seu nome então.
- Vou deixar cópia dos documentos que pensei que fossem necessários. Meu telefone e e-mail estão aí, caso precise de alguma coisa, avisa que venho correndo, talvez o prazo já tenha expirado.

2º dia:

- Oi, acho que este documento pode ajudar vocês, não sei se já houve o encaminhamento...
- É, eu lembro de você, esteva aqui há pouco tempo, não foi?
- Há 3 dias.
- O que era mesmo?
- Eu deixei meus dados para iniciar o procedimento. Vim ver como está.
- Fulana, esqueci de comentar com você. Essa moça esteve aqui, já abri a pastinha dela, você sabe como é o procedimento?
- Passou o prazo faz 2 dias.
- Mas quando eu vim, então estava no prazo...
- Tem certeza não foi em outro dia?
- Se fosse há mais tempo, mais ainda no prazo eu estaria, certo?
-É...Deixa eu ver o que você precisa.
- Eu havia trazido estes documentos e, agora, recebi mais estes.
- Então é só preencher o formulário. Anota o endereço da página e me traz preenchido.

3º dia:

- Oi, eu de novo. Li o formulário e não foi o que pedi. Trouxe impressa a página com o processo que preciso resolver.
(a criatura lê com muita atenção o papel, como se não soubesse do que se tratava)
- É...esse é outro procedimento. Só me fala o número do seu documento.
- Mas e a assinatura dessas pessoas do formulário, não serão necessárias no outro procedimento também? Falarei com estas pessoas hoje, será mais rápido que você tentar recolher individualmente as assinaturas.
- Não, não é preciso. Só veja se tem como pedir fora de prazo, acho que não vai dar para fazer nada.

4º dia:

- Recebeu meu e-mail?
- Recebi.
- Já enviou?
- Sou eu quem envia? Enviar o quê?
- Estou falando em envio, mas vim ver se está tudo certo, se houve o procedimento foi encaminhado.
- Não foi. Como a data de início do pedido vai ser postergada, para que fique no prazo, não fiz nada.
- Mas a data vai ser postergada no papel, na verdade tudo continua como antes, a necessidade não ficou menor porque o prazo vai começar depois.
- Então do que você precisa?
- Que seja dado andamento ao procedimento.
- Vai ser fácil, tenho um modelo aqui, só precisa dessas assinaturas.
- De quem? Das pessoas que eu te disse que iria encontrar e você disse que não precisaria?
- Hmmm.
E a saga continua...

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Etiqueta Urbana

Você, que faz questão de andar de bicicleta na rua, não pense que a luz piscando atrás vai te salvar durante o dia enquanto estiver na contramão, o escuro da chuva não é o mesmo da noite. É, o corredor existe para ônibus, não para bicicleta - e quem faz a conversão presta atenção se vem ônibus, não se vem bicicleta no estreito vão entre ônibus e carros. Sei que deve ser chato aguardar as pessoas subirem as escadas, mas fique atrás do coletivo ou próximo ao meio-fio, é para seu bem. Depois, mesmo que você não se machuque tão feio, a recordação de você atropelando os carros (por mais que digam o contrário, é isso que acontecerá) não será nada agradável. Também não conte com o freio: a bicicleta fica, você voa.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A real da realidade

Possibilidade de escrever sua própria trajetória de vida, não consigo entender de outra forma o conceito de democracia.

Tenho convicção de que todos temos a vida que pedimos a Deus, uns de forma mais consciente que outros. É a tal lei da ação e reação (argumentação para os ateus). Concorde se quiser – apenas esqueça o blá-blá-blá da culpa e pense que a responsabilidade pelos atos e omissões é uma constante permissão, a cada momento, para mudar o curso da vida.

 

Por que escrevo isso, após tanto tempo sem manifestar-me por aqui? Somos responsáveis também por quem nos representa, independente do voto nas eleições. As notícias e a mesquinharia de argumentos reproduzidos na mídia estão tirando minha tranqüilidade... A inabilidade política do governo federal deixaram-me em estado de choque por uns dias, agora melhorei um pouco, estou conseguindo até me manifestar a respeito:

 

Não vou entrar no mérito do programa “mais médicos”, números são facilmente manipuláveis e, da forma como está sendo conduzido, só dá para perceber que tudo – menos saúde da população – é o que está em jogo para as partes envolvidas. (saúde é não ser contaminado pela poluição/falta de saneamento ou ter acesso a serviço médico, com procedimentos básicos devido à poluição? Bem, deixa pra lá...).

 

O jeitinho dado para a implementação do programa é estarrecedor. Refiro-me ao drawback atípico de cubanos (se você preferir, pode ser leasing também). Não faz muito tempo houve manifestação do MPT de que não era possível monitorar o deslocamento dos médicos cubanos dentro do território nacional, nem pagar salário de USD40. Um espanto que ninguém dentro do governo tenha se lembrado que existe uma Constituição prevendo salário mínimo e direito de ir e vir (mais abrangente que a mobilidade reclamada nas ruas).

 

Pouco tempo depois, é anunciado novo acordo (dessa vez já assinado). O MPT alegou não ter conhecimento do conteúdo para poder opinar, pela imprensa descobre-se que 25% a 40% do valor pago ficará com o profissional e o restante vai para (?) a título de (?).

 

O intermediário (OPAS e/ou CUBA) ganhará mais do que quem trabalha. Ok, sei que isso é comum nas relações comerciais com finalidade de lucro – tudo a ver com comunismo e acesso à saúde. Mas se pensar na estruturação, o país está delegando a terceiros o preenchimento de vagas na área da saúde. Alguém arrisca qual a diferença de pedir para um hospital beneficente alocar pessoas num posto de saúde e uma pessoa jurídica de direito internacional alocar pessoas num posto de saúde? É... o mesmo modelo de privatização da saúde, só que no segundo caso os recursos não ficam no país e é feito por quem sempre criticou o modelo.

 

Acho lamentável que a discussão se restrinja entre o “médico italiano que ficará no litoral potiguar” e o “médico cubano negro vaiado” (confesso, baseio-me no Facebook). Vou desconsiderar que o censo de municípios com vagas foi apresentado apenas após a divulgação do programa “mais médicos”, tornando possível às prefeituras substituir seus quadros pelos médicos que serão pagos pela União. Também vou desconsiderar que houve dois recrutamentos de 12 meses para treinamento de médicos da família, divulgados como prioridade pelo ministério da saúde, mas que só agora, na sua terceira edição, terá remuneração equiparada à do programa “mais médicos” (vide Provab). A gravidade da renúncia à soberania acatando piamente o que outros entes internacionais dizem (ausência de revalidação do diploma) é por demais óbvio e não vou usar nosso tempo falando disso.

 

Vou basear-me apenas no aspecto humano: vou acreditar que o profissional que está chegando conseguirá algum resultado, que terá jogo de cintura para sobreviver às milícias e ao coronelismo sem se corromper e a população ficará satisfeita com o seu trabalho – e que sua substituição de tempos em tempos não afetará o atendimento às pessoas. Como o contrato de trabalho é temporário, ele só permanecerá legalmente no país se casar ou tiver filhos aqui. Será uma pessoa ética, fará questão de validar seu diploma para continuar atendendo, mesmo que a população local não entenda, após 6 anos, que o médico deixou de ser médico.

 

Mas e os cubanos? O que acontecerá ao brasileiro, filho de mãe ou pai cubano? Terá que abandonar o país para não ficar órfão? O governo vai descumprir a promessa de dar visto permanente ou asilo? Vai romper relações com Cuba? Mistério... Estou exagerando? Quatro mil pessoas durante seis anos e ninguém vai se envolver com qualquer brasileiro(a)? Não posso acreditar que sejam todos previamente esterilizados! Pior do que aquelas vaias infelizes no aeroporto de Fortaleza é a conivência com a exploração. Como pode o governo garantir que não dará visto para nenhum cubano? Se estão sendo contratados merecem receber o mesmo que os outros. Vaias foram para todas as nacionalidades, mas só os cubanos vão receber menos. Por quê? Por que, mais uma vez, a Constituição é ignorada? Teremos que torcer para o comunismo continuar na ilha para que não haja passivo trabalhista no futuro? Cadê o Ministério Público?

 

Não sei a quem pode ser benéfica a situação, senão aos que disputam poder. Sem dúvida, a discussão é conveniente por diminuir o enfoque da mídia no caos econômico que o país está. O modelo inglês de pagar menos para quem atende pobre (um salário que só estrangeiro se submete) parece não ter volta enquanto houver crise de desemprego no hemisfério norte, aqui é um pouco pior pois não há seleção do estrangeiro que vem e ele é desencorajado a ficar.

 

Acredite, gostaria de estar sentindo menos vergonha da situação atual, principalmente pela institucionalização oficial do cidadão de segunda classe, seja o médico cubano, seja a população que vive em condições precárias sem perspectiva de melhoria. Ajude-me, se puder, a achar algum argumento que relativize a situação, mas sem esquecer o caput do artigo 5º da Constituição:

 

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos seguintes termos: (...)”(grifei)

domingo, 26 de maio de 2013

Compreendendo a Censura


Fui assistir Crônicas de Cavaleiros e Dragões – O Tesouro dos Nibelungos no SESI. A dramaturgia foi adaptada a partir da versão de Tatiana Belinky da mitologia nórdica. Censura recomendada: 12 anos.

 

Na cena da noite de núpcias, a Rainha que casou contrariada (honrando sua palavra sem saber que houve trapaça no duelo que participou) recusa o marido e há uma luta corporal em que ela vence. No dia seguinte, o rei, com ajuda de um amigo, no quarto do casal, luta com ela que, imobilizada, acaba “cedendo”.

 

A coreografia é muito bem feita, a luta parece uma dança e complementa o cenário primoroso que o SESI costuma apresentar. Mas é sexo à força (um estupro floreado, digamos) mostrado para adolescentes – isso sem contar que a peça atrasou de tantos pais que ainda estavam preenchendo a ficha de autorização para que seus filhos, menores de 12 anos, pudessem assistir.


Difícil imaginar que não houvesse outra forma de apresentar a contrariedade da Rainha e o mau caráter do Rei e de seu amigo protagonista. Talvez grande parte da plateia não tenha percebido a mensagem subliminar que quase me fez ir embora. Também duvido que alguém tenha comentado com o(a) filho(a) viu, nessa versão o protagonista não era herói; poderiam ter sido felizes se houvesse diálogo, mas seguiram seus interesses, impuseram sua força e colocaram tudo a perder. As pessoas saem comentando os efeitos especiais ou a bunda do ator ao tomar banho.

 

E não é a primorosa estética a responsável pela superficialidade. A arte serve para reflexão, um momento em que não vivemos nossa vida, mas nos permitimos pensar sobre outros assuntos, reordenar ideias, soltar o riso e o choro por alegrias e tristezas que não são nossas: emprestamos o corpo para lavar a alma de um encardido inconsciente. Pelo menos deveria ser assim.

 

Não dá para simplesmente pensar que a recomendação nomeada censura, e, por manter o nome, odiada como tantos outros mecanismos estatais, existe à toa. A classificação continua sendo obrigatória, cada um cumpre de acordo com a sua consciência – como se fosse possível ter consciência sem reflexão. Além disso, não é todo dia ou em qualquer companhia que dá vontade de ver qualquer conteúdo. A advertência da censura ajuda os preguiçosos em ler a sinopse.

 

Outro dia, num PUB, ingleses discutiam qual povo contrariava mais o governo que elegia: se brasileiros ou espanhóis. Eu nunca havia parado para pensar a respeito, mas agora, com aquelas crianças assistindo a cenas que eu talvez só compreendesse em minha adolescência tardia, lembrei-me deles e do clichê de que se hay gobierno, soy contra.

 

A informação impressa no programa, para justificar não recomendar a peça aos menores de 12 anos, é conteúdo violento, relevante pra a compreensão da trama. Talvez a advertência tenha sido ignorada pelos pais por não ser nada muito diferente do contexto televisivo das crianças, infelizmente.

sábado, 11 de maio de 2013

Oi

Desisti de reclamar para a operadora, que ou me envia mensagem gravada (às quais não posso responder) ou então pede para eu ligar em duas horas, que é a previsão do sistema voltar (dia após dia, a previsão é sempre de duas horas).
 
Organizei os protocolos, datas e horários para reclamar, mas...
 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Questões incompreendidas

Chegando ao pronto-socorro, o cartão do convênio foi recusado. Depois soube que nenhuma mudança ocorrera na apólice, mas que ela só era respeitada se houvesse insistência. A informação foi dada como se, na pressa, terceiros fossem pressupor isso. Enquanto não é tomada a decisão quanto à mudança de plano, a carteirinha passa a ter a seguinte etiqueta: apólice com negociação diferenciada, ligar para operadora antes de recusar. Será que vai adiantar?
* * *
 
O comprovante de pagamento vai ser necessário em 30 anos, não agora. Se pagar pela Internet, ou o comprovante impresso é uma cópia simples (facílima de ser contestada e imitada), ou será um arquivo eletrônico existente enquanto houver a conta bancária. Na agência, agora, não tem mais a chancela mecânica, feita com tinta no boleto, mas é entregue papel fotossensível, que se apaga antes dos cinco anos previstos - cópia do comprovante é tão inútil como prova quanto a impressão da transação. Alternativa seria autenticar cópia do documento, custo que antes não se tinha, ou ficar pedindo ao órgão arrecadador comprovação do pagamento (ônus ao erário público). Quem regula isso?