sexta-feira, 20 de maio de 2011

Puxadinho estético

O frio estava tenebroso e certamente os minutos de espera pareceriam horas...Marquise em reforma, pouca possibilidade de afastar-se da garoa, resolvi visitar o MAM (em São Paulo, no Parque Ibirapuera).

Para minha surpresa, estamos na semana do museu, período comemorado com entrada gratuita.

"Morada Ecológica" e "Razão e ambiente" são as exposições. Nas duas salas estão organizados projetos arquitetônicos relacionados ao tema central. Dentre os nacionais, todos já constaram em revistas de decoração. Interessante mesmo (e que para mim justifica a visita) foi o projeto "Más con lo mismo", do escritório Elemental, de Alejandro Aravena:

Resumidamente, em Iquique, Chile, famílias de uma favela seriam desalojadas de uma área central devido a uma readequação urbana (algo muito comum em vários países, inclusive no Brasil). A equipe do escritório discutiu com a população afetada as possíveis soluções. A decisão foi adquirir, com o equivalente à metade da indenização da desapropriação, um terreno mais central do que o fornecido na periferia pelo poder público. Restando apenas metade do orçamento para construir as casas, o escritório fez o projeto de contruir meia casa, priorizando banheiro e cozinha, por serem mais difíceis de serem construídos adequadamente, e uma sala aberta para rua, que poderia ser adapatada para um comércio. Cada morador construiria o restante, de acordo com suas posses.
Na foto acima há cinco casas. As duas da esquerda parecem já ter concluído os seus "puxadinhos", a que está na outra extremidade ainda não iniciou a construção. Mesmo cada um fazendo do seu jeito mantém-se a harmonia do conjunto - sem colocar as famílias em risco, pois a estrutura já foi projetada para receber mais andares.

Resolvi saber mais e aceitei a publicação de divulgação do MAM-SP que é ofertada na entrada. Nova grata surpresa. Excelente a qualidade gráfica de MODERNOmam. Aprendi que o projeto que havia me entusiasmado recebeu o Leão de Prata na Bienal de Veneza em 2008 (quem recebeu o de ouro !?) e que Aravena está ajudando na reconstrução de seu país após o terremoto, além de desenvolver um conjunto de apartamentos em Paraisópolis (favela de São Paulo). Além das informações sobre os projetos mais expressivos em exposição, exemplos de atividades culturais no museu para deficientes auditivos e visuais também constam na revista.

domingo, 15 de maio de 2011

Plantas estressadas florescem mais

Descobri porque o meu cuidado e dedicação às plantinhas estão sendo ineficientes: a grande variedade de adubo e substrato são absorvidos como um só elemento, o nitrogênio, responsável pelo desenvolvimento das folhas e, com tanta folha para nascer, não há condições biológicas para desenvolvimento de flores. Como consertar um cenário desses? Parar de regar é uma das alternativas.
Explicou-me o professor que as plantas em situações adversas são mais floridas do que as cuidadas periodicamente. Tal fato foi constatado através da experimentação, mas não tem uma razão cientificamente comprovada. Acho que comecei a entender de que forma a agricultura e a jardinagem podem auxiliar no desenvolvimento de pessoas em situação de risco:
1º) somente convivendo com as plantas é possível perceber a melhor forma de cuidá-las. Cada uma é um ser diferenciado. Manuais descrevem o comportamento genérico, porém só a atenção permitirá o seu correto desenvolvimento – observação e paciência são fundamentais para obter êxito no relacionamento.
2º) observar a natureza ajuda a criar um ambiente favorável para o desenvolvimento, mas isso exige respeito ao tempo de cada espécie (e eu que nunca havia interpretado a ansiedade como desrespeito ao tempo do outro...). Algumas florescem só uma vez ao ano e é preciso conviver somente com galhos no outono e no inverno para poder na primavera deslumbrar-se com a sua beleza – a decepção decorre da expectativa que temos, aceitar as diferenças não impede a convivência, o compartilhar e o maravilhar-se com o que o outro pode proporcionar.
3º) A ausência de agrotóxicos no cultivo é a característica mais divulgada das hortaliças e legumes conhecidos como orgânicos, ao invés do fato de serem mais nutritivos, que é o que importa. A convivência com outras espécies os faz “preocuparem-se” em ser mais fortes e absorver mais nutrientes, dificultado a infestação de pragas – o meio externo/aparência é mais divulgado e conhecido do que o interior do ser.
4º) Ao regar, não economize na água. E também não regue todos os dias. A planta não vai conseguir absorver tudo o que está recebendo, mas ficará mais vigorosa, com raízes mais eficientes. A rotina de molhar um pouquinho todos os dias acomodam as raízes na superfície – ser intenso – mesmo que nem sempre se fazendo presente -  é melhor do que a rotina de dependência, que com qualquer brisa tomba.
5º) Se você não sabe o que quer colher ou o jardim que lhe agrada, não plante, contemple as possibilidades até escolher – apenas mantenha o solo livre e preparado para o cultivo futuro.
6º) Não é todo vegetal que é ornamental ou comestível, evite dedicar seu tempo cultivando o que só lhe gerará o trabalho de arrancar, nem fique podando uma árvore só porque todos fazem, para depois descobrir que a sombra era o que ela tinha de melhor. O vegetal não sabe que você quer a flor ou o fruto, se você também não souber, é você quem não vai aproveitar tudo que lhe seria permitido, pois os ciclos da planta ocorrem independentemente de você.
Outra opção para ter flor é corrigir o PH do solo colocando calcário. Ao produto químico, adquirido em prateleira, faço analogia com estereótipos, sempre é possível usar o que já está pronto, apenas seguir o senso comum, mas aparências só se mantêm aparentemente.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O mistério da lâmina

Aproveitando o clima de sexta-feira 13, conto-lhes o ocorrido esta semana:

Estava eu servindo-me do segundo copo de shake quando percebi que faltava uma das lâminas do liquidificador. Passei o conteúdo para outro copo com cuidado, mas nada da lâmina aparecer. Tenho estado distraída ultimamente, mas a ponto de não perceber a pá quebrada ao lavar? Dificilmente. Lembrei-me então do esforço que tenho feito para engolir comprimidos de vitaminas, do êxito obtido com drágeas pequenas e algumas médias... 3 cm seriam perceptíveis, mas vários pedaços de até 1 cm não! Pânico.

Pela terceira vez na vida fui a um pronto-socorro. Só não reclamei da eternidade dos 40 minutos para ser atendida devido ao estado das pessoas à minha volta. Na triagem, senti-me a retardada contando o motivo da internação. Mas ao ouvir do médico que não era raro a ingestão da lâmina do liquidificador o nervosismo voltou. Raio X feito, nada encontrado, voltei para casa.

Revirei a cozinha inteira e também nada encontrei. Por onde estaria a lâmina? Mistério...