quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Aos Artistas


 
A foto acima foi tirada na Bienal, que termina no próximo domingo. Ela, junto com uma frase que em insistente tilintar acompanha-me há semanas pertubaram minha leitura noturna.

Não vou explicar sobre arte, pessoas que sabem bem mais do que eu já não conseguiram fazer direito... Mas naquele workshop que contei para vocês que participei por acaso, ficou muito claro que se você quiser provocar determinado resultado o que você está fazendo não é arte, apenas propaganda. Arte instiga com liberdade, quem tem acesso pode concluir de forma contrária ao artista.

Arte ruim, neste sentido, é aquela que não é percebida, que as pessoas passam em frente e, por diversos motivos, nem olham. Gostar de uma obra, concordar com sua mensagem, pode significar tanto divertimento quanto rejeitá-la. A essência de toda arte é a consequente mudança de estado de espírito e possível reflexão.

Neste contexto surge a frase da outra oficina, a de que o importante é o que não está dito. Tanto nas artes quanto no cotidiano aguçamos e repreendemos os sentidos. A escrita sugere, o leitor decide. Enquanto houver silêncio, o texto protege e separa ambos. O artista sabe que as possíveis leituras não estão escritas e são elas que interessam, pois só elas têm algum sentido - e não o texto em si.

Não descobri o autor da frase, mas para mim foi muito mais artística do que várias instalações plásticas na Bienal, cujas propostas e provocações os monitores precisam explicar.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Um ensaio após o ensaio

Chuva.

Estação do metrô.

Nada de pressa.

"Pague quanto acha que vale" na máquina de livros.

Nenhum livro razoável.

R$2,00.

Melhor qualquer leitura do que nenhuma para passar o tempo enquanto a chuva passa.

Em letras miúdas, "aceita somente notas, a partir de R$10,00".

Cadê o Procon?

"R$10,00. Só aceitamos notas. Máquina tão ultrapassada quanto seus livros (defeito proposital é mera característica), não dá troco nem aceita mais de uma compra por vez".

Ficou com vontade de escrever, mas foi só vontade, que passou junto com a chuva e não foi tão forte quanto a de chegar em casa.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Só pode ser o rebate (leia-se ribeit)


Quem acompanha este blog sabe que dificilmente cito marcas. Se você está começando agora a lê-lo, saiba que o faz em raro momento. Mas é que fiquei tão satisfeita com o atendimento recebido e com a descoberta feita que sinto ser necessário compartilhar com vocês.
 
Apesar do preconceito existente, antes de mais nada, preciso esclarecer que gosto de salsicha. Sei que é feita de carne dita menos nobre, mas para mim isso é puro preconceito. Na galinha, por exemplo, prefiro a moela e o coração ao insosso peito. E para qualquer animal, perder parte de um músculo é menos vital do que perder um órgão, logo uma carne de primeira ou de segunda é mero ponto de vista. O que como é simplesmente porque gosto do gosto, sei que saudável mesmo é ficar longe disso tudo.
 
Pois bem. Por muito tempo consumi apenas salsichas importadas. As nacionais, feitas de fécula de mandioca com sabor e aroma de salsicha, simplesmente “não descem”. Até que em uma viagem fui coagida a desviar da estrada e ir na loja de fábrica da Berna. Eles também têm salsichas com fécula de mandioca, mas há várias outras tão boas quanto as importadas.
 
Desde então, sempre que achava as tais salsichas (frankfurter mesmo, que é a mais simples) eu comprava. E o preço, como o de todos alimentos, começou a subir...Quando chegou a R$42,00 o quilo, escrevi para o fabricante reclamando do valor e perguntando se dava para congelar, pois já estava cogitando ir até a loja de fábrica e comprar uma quantidade que valesse a viagem.
 
Recebi resposta no mesmo dia. A área comercial não apenas me informou o nome de todos os lugares que comercializavam os seus produtos como também avisou-me de onde era mais barato. Fiquei muito satisfeita. Naquela mesma semana a salsicha, no lugar de costume, onde volta e meia ela está em falta, havia baixado para R$36,50. No lugar indicado pela área comercial da Berna o preço está em R$31,80 e o sortimento é muito maior.
 
Tudo bem, sei que R$31,80 não é nenhuma pechincha, mas é praticamente de 30% a diferença entre os preços e seis quadras de caminhada. O mais curioso é que o melhor preço é em um estabelecimento comercial tradicional por não tem no preço qualquer atrativo. Devem conseguir vender mais barato porque compram mais, aquela velha história do ganho de escala: se você quer comer algo sofisticado, compre em lugar sofisticado.
 
Não vou mencionar os respectivos estabelecimentos porque nem todos que me lêem são de São Paulo, tornar-se-ia uma informação desnecessária em um texto que quer homenagear o bom atendimento do fabricante. A área comercial também me disse que em breve haverá uma loja de fábrica longe da fábrica, na região central da capital, na Marquês de Itu. Estou na torcida para que os preços fiquem melhor ainda.