terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sem sugestões, melhor o silêncio às reclamações


Preenchimento do tempo. Viver a vida. É nisso que a (im)paciência se manifesta. Estava em uma fase de parênteses, abandonara as aspas. E não repetir lhe permitia preencher o tempo que não tinha, mas era obrigada a ceder naqueles momentos de (in)competência. Competência em conferir, incompetência que faz esperar, competência em corrigir. (Im)Perfeições (des)mentidas.

Sorrindo ou reclamando, o processo é o mesmo. Insistir, desistir, persistir (aos que desistem é burrice, aos que insistem é perseverança). Escolhas (in)certas, dessas que podem ser mero instinto aos que não vêem outra saída (nada além das aspas), revelam a (des)necessidade da (im)paciência, de (re)pensar o dia, de (re)lembrar o que acabara de fazer e (re)organizar as prioridades.

 


 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Etiqueta Urbana

Você, que faz questão de andar de bicicleta na rua, não pense que a luz piscando atrás vai te salvar durante o dia enquanto estiver na contramão, o escuro da chuva não é o mesmo da noite. É, o corredor existe para ônibus, não para bicicleta - e quem faz a conversão presta atenção se vem ônibus, não se vem bicicleta no estreito vão entre ônibus e carros. Sei que deve ser chato aguardar as pessoas subirem as escadas, mas fique atrás do coletivo ou próximo ao meio-fio, é para seu bem. Depois, mesmo que você não se machuque tão feio, a recordação de você atropelando os carros (por mais que digam o contrário, é isso que acontecerá) não será nada agradável. Também não conte com o freio: a bicicleta fica, você voa.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Pub tupiniquim


Estava ali como o bendito fruto, o único entre as mulheres. Bebia e ouvia – mesmo tendo o que falar. Aceitara sentar-se de costas para o movimento, para instruir-se com os comentários femininos. Percebeu que havia bebido demais ao notá-las saindo, cada uma por vez, da mesa. Teria ouvido certo?

 

Se as visse aos pares seria bebida, sim – e nada teria notado – era preciso de uma vez por todas esclarecer: atônito, contrariando tudo que sabia a respeito, confirmou que elas iam sozinhas ao banheiro. Revoltou-se, noites e noites de confabulações a respeito jogadas fora e um enigma a menos para tratar com os amigos, ou teria encontrado um a mais... Em nome da manutenção da amizade, resolveram todos ir dançar.

 

Na pista, tiraram fotos. Algumas do grupo, não todas. Colocar-se desapercebidamente no registro dos outros exige coordenação, rapidez e sintonia. Dane-se o ruído das gargalhadas. Vantagens do anonimato... Em uma das fotos, a funcionária da casa que tentava cruzar a multidão equilibrando copos usados foi parada pelo grupo instantâneo formado à sua frente. Espirituosa, contorceu-se em direção ao celular e sorriu.

 

A banda era muito boa, conversaram o tempo todo comentando isso. Mas cantaram também, os parabéns, entre uma música e outra. Já o DJ não foi unanimidade, serviu de pretexto para formação da fila feminina. Por onde passavam atraiam os olhares, na certeza de que não elas, mas a convicção quanto ao destino previamente combinado, era o assunto deles.