segunda-feira, 8 de junho de 2015
sábado, 6 de junho de 2015
Mexendo onde não deve
Quando um assunto do momento passa repentinamente ao
esquecimento, eu desconfio.
Pararam de falar em terceirização na mídia. Nenhum dos argumentos a favor da permissão da terceirização
da atividade fim das empresas é convincente. Hoje só não terceiriza quem não quer,
há várias formas legais de se estruturar uma operação; fazer ou não fazer é uma
questão estratégica. Assim como ocorrerá caso a lei seja alterada, o que
garante o sucesso da terceirização é a saúde financeira do terceirizado. Só.
Flexibilizar a regra do contrato de trabalho temporário, permitindo-o
sem a interferência da empresa intermediadora, geraria muito mais oportunidades
sem extinguir o negócio da contratação de mão de obra
terceirizada.
Precisa mudar também a ideia de que trabalhar por pouco
tempo com alguém “suja a carteira” Advertência, suspensão, demissão por justa
causa com certeza acaba com a reputação de qualquer um.
Um outro argumento: de nada adianta permitir licença
gestante de 6 meses se o tempo máximo do trabalhador temporário é também de 6
meses. Mesmo que a funcionária marque o dia do nascimento da criança e não emende a licença com as férias, um
período de transição entre quem chega e quem sai é necessário.
O fato é que o pessoal vai aprovando aqui e ali os textos sem
preocupar-se com a aplicação deles e a mídia só noticia alguns, na véspera da votação, sem tempo hábil para formação de massa crítica. Lei que não tem como ser cumprida precisa
ser modificada antes de se pensar em suprimir qualquer direito.
sábado, 30 de maio de 2015
Sobre o que andam falando por aí, sei não.
Se educação é um direito de todos, por que é permitida greve
de 100% dos professores? Se não haverá aula, que haja acesso dos alunos à escola
para que não fiquem ao léu enquanto os pais trabalham. Se eu fosse gestora faria vídeo educativos e deixaria os alunos assistindo - talvez até aprendessem mais. Já que não precisa de nota, já que pode faltar que não reprova, deixa ao menos assistir filme educativo. Professor tira dúvida após assistir vídeo e fazer exercícios.
É impressionante a
quantidade de criança pedinte ou trabalhando de engraxate, camelô etc na região
central da cidade. Tem um garoto de uns 12 anos que debulha milho como ninguém
na Paulista esquina Pamplona. Ele ajuda algum familiar que fica por ali à noite
e fica sozinho à tarde fazendo tudo que não deveria: controla o fogo no
liquinho, mexe com faca e fica de pé ao ar livre com pombos à volta, a poucos
metros da lixeira mais suja de toda a avenida.
* O *
Sindicato só não acaba porque é interessante para o
empregador que ele exista, um ajuda o outro. Já imaginou ter que falar sobre
aumento com cada um dos funcionários? Greve é modelo ultrapassado, um oba-oba
para manter a estrutura atual e não dar espaço a trabalhadores descubram uma
forma atualizada de reivindicação, o que atrapalharia aos que hoje negociam.
Sem greve o nº1 do sindicato não tem visibilidade, não é por acaso que as
votações pela manutenção da greve são feitas no horário do expediente (quem é
contra e está trabalhando não tem como ir) e sem controle de quem está votando
(vá na Paulista e levante o braço se houver curiosidade).
* O *
A permissão para que seja possível terceirizar a atividade
fim das empresas e não apenas a atividade meio é outro blablablá do momento. Já
são tantas as possibilidades de se fazer isso atualmente, sem qualquer mudança
na lei, que a aprovação da nova regra prejudicará certamente os sindicatos mais
fortes, que perderão arrecadação para outros sindicatos. Salário é uma questão
de economia: se a economia cresce os salários melhoram, se a economia não vai
bem, o mercado paga menos ou nem contrata.
De todos os argumentos que li e ouvi, nenhum pareceu-me
conexo com a dita “permissão para a terceirização”. Muito mais razoável seria
desburocratizar as condições do trabalho temporário. Por qual motivo o contrato
temporário ou é período de experiência ou precisa ter um intermediário para
fazer a contratação? Por que se for renovado tem que ser por igual período? Qual
o problema de contratar alguém por um período previamente ajustado que seja superior
a 6 meses? Nisso ninguém fala – e tornaria tão mais simples e barato contratar.
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