quarta-feira, 30 de março de 2011

Preparativos para o jardim

As aulas de jardinagem estão agradando muito. Concordo com o clichê de que os meses de espera para conseguir a matrícula compensam. O principal é estar relacionando conhecimento teórico (o qual descobri, pelo menos até agora, que já tinha) com a prática.

Não importa o que você pergunte aos professores, a resposta tenderá ser para conhecer a espécie a ser cultivada e o meio em que será plantada. Há projetos nas áreas carentes em que pelo cultivo das plantas ensina-se respeito pelo ciclo e necessidade dos outros, como deveria ser em nossas vidas em relação a todas as pessoas. A analogia entre o vegetal e o ser humano é usada com alguma frequência nas explicações.

Básico, lógico e, mesmo assim, precisei ouvir isso algumas vezes semana passada e hoje para perceber que a violeta adorou a primeira dose de café que dei a ela... mas provavelmente o excesso da segunda dose a levou a óbito.

Pelo o que venho observando, será mais adequado a mim uma horta hidropônica na sacada do que vasinhos com temperos. Fiquei feliz em saber que ambos são possíveis sem a convivência com minhocas - inclusive fui alertada que minhocas deixam a terra quando ela está muito úmida. Argh! Se colocar água além do necessário, elas saem do vaso.

Outro aspecto positivo é a convivência com o parque. Como motorista, durante a semana, não tinha ideia que houvesse tanto movimento. Às vezes até deixava de ir com medo de ser inseguro, Aprendi que o público estimado, por dia útil, no Ibirapuera, é de 30 mil pessoas. Existe movimento e áreas silenciosas, muito mais agradável que nos finais de semana.

sábado, 26 de março de 2011

Lar: cada um administra como lhe convém

Dentre os desafios de morar na capital, o principal era como conseguir uma faxineira de confiança. Inicialmente dividia com amigos “o achado”: uma vez por semana a Dona Maria ia na casa de cada um. Só que a mulher do primeiro a se casar a promoveu a cozinheira e os outros ficaram sem.

Com muita dificuldade, conseguiu convencer “a tia do café” da empresa a trabalhar aos sábados em sua casa. E era por este motivo que precisava ir embora da festa, apesar do aniversário ainda estar bem animado: sua faxineira era uma colega de trabalho, não podia deixar o “apê” muito desarrumado senão ela comentaria com as pessoas do andar e isso certamente lhe atrapalharia profissionalmente. Também era por esse motivo que não se permitia dormir até tarde nem dava a chave da porta da rua para ela: nada de flagrante.

O combinado com a Socorro era ela chegar às nove horas todos os sábados. Pelo menos duas horas antes de sua chegada ele acordava, fazia a barba e “dava uma geral”, se ela fosse comentar com as colegas, que comentasse o quanto ele era organizado e limpinho.

Sua antiga namorada tentara convencê-lo a importar-se menos e a curtir melhor a noite de sexta e a manhã de sábado. Precisou escolher entre as duas, Socorro era mais difícil de ser substituída e permaneceu no cargo. A decisão foi tomada no exato dia em que um jornal de distribuição gratuita publicou reportagem sobre a escassez de faxineiras em São Paulo. Socorro foi quem lhe mostrou pedindo aumento. A promessa de lavar a louça para diminuir o serviço convenceu-a de que se tratava de um aumento.

Era por esse motivo que ia embora, havia aguardado a meia-noite para cumprimentar a aniversariante, mas agora precisava partir. Não, não virava abóbora, nem precisava de carona. Muito menos estava cansado, em estado de quibebe, precisava apenas acordar cedo e trabalhar antes que a Socorro chegasse...

quarta-feira, 23 de março de 2011

Acontece nas melhores famílias

- O que é isto?
- Seu pagamento.

- O dinheiro mudou?
- Sim, tem sido noticiada com frequência a mudança na cédula.
- Qual o nome do dinheiro agora?
- Continua sendo Real, está aqui escrito: 50 reais.
- O dinheiro que eu tenho em casa não vale mais?
- Continua valendo. O governo está, aos poucos, substituindo a cédula antiga por esta.
- A senhora tem o dinheiro do papel antigo para me pagar?
- Não, eu saquei o valor exato no caixa eletrônico e a cédula que veio foi esta.
- Bem, neste caso eu vou aceitar. Posso assinar o recibo depois?
- Não, o recibo deve ser assinado no momento do pagamento. Por que você assinaria depois?
- Se eu não conseguir compensar este papel lá onde eu moro esse dinheiro não vai servir para nada...

- Eles são obrigados a receber, não estou lhe pagando com cheque, mas se você não está confortável, podemos colocar aqui no recibo o número da cédula. Se eles não aceitarem você me avisa com antecedência, traz esta mesma cédula de volta e eu providencio o dinheiro antigo. Está bem?
- Sim.
* * *
O diálogo parece absurdo, mas quantas vezes nos deparamos com situações em que todos os envolvidos querem a mesma coisa e por falta de interação e ignorância do que o outro sabe ou compreende nada é resolvido?

Havia 50 reais a serem pagos e o desconhecimento da nova moeda foi o causador do ruído na comunicação. Pela pressa e até pelo adiantado da hora, não havia como ir a um comércio próximo trocar o dinheiro, nem valia a pena correr o risco do comerciante, por igual desconhecimento, também não aceitar a nova cédula. A identificação da cédula utilizada em pagamento, inviável em muitos negócios, foi a alternativa para que a situação se resolvesse. Constou o seguinte: “o pagamento foi realizado com a nova cédula de Real, de desconhecimento da emitente do presente recibo. Na hipótese de não ser aceita no comércio, poderá a mesma, identificada pelo nº “x”, ser devolvida e substituída imediatamente por outra do modelo antigo.”