domingo, 17 de abril de 2011

abaяiV Cultural

Madrugada. Finalmente um vagão do metrô com lugares para sentar. Entraram, sentaram e permaneceram em silêncio ela, seu amigo e sua amiga. O cansaço era visível. Mesmo assim, bastou mudar a direção do olhar para um sorridente jovem, de pé, começar a conversa:

- Há quanto tempo, fomos colegas, lembra?

- Sim.

- indo para onde? Qual a próxima atração que você recomenda?

- indo para casa... Não sei o que te recomendar.

O rapaz que estava ao lado, tentando equilibrar-se, inclinou o corpo e intrometeu-se na conversa:

- Também tenho dúvida quanto ao melhor lugar para ir. Sou de SJC e me convenceram que programação boa, neste final de semana, só na capital. Volto no ônibus de hoje à noite, até lá não quero perder nada e, ao mesmo tempo, estou confuso com este mapa... Aproveitando, vou apresentar meu amigo, aqui do lado, que veio comigo, e apresentar-me aos futuros amigos, que estou conhecendo agora.

Ela riu e todos se apresentaram. O rapaz, então, insistiu, pois se ela ia para casa, certamente no dia seguinte iria a algum lugar, teria uma dica, não podia acreditar que ela fosse ficar o domingo sem passear. Deu certo a tentativa, ela indicou a barraca de pastel em que se encontraria com outras pessoas na tarde seguinte no exato momento em que ele saía para fazer a baldeação.

Na vida é assim, quem não comunica está se privando da surpresa da resposta do outro, pois o não já é a resposta que se tem antes de perguntar.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O catador de papéis

A manhã havia sido ótima, certamente poderia apenas descansar à tarde: encontrara uma loja em inauguração cujas caixas de papelão praticamente não couberam em seu “carro”. A gerente estava tão preocupada em desocupar a calçada antes da festa que nem se lembrou que poderia vender, doou-lhe material de qualidade em quantidade muito maior que sua produção diária.
Dia de sorte é dia de sorte, não é para ficar parado, curtindo o que ganhou, mas sim aproveitar “a boa maré” e ganhar mais: acelerou os passos, ignorou os carros em velocidade e encurtou o caminho entrando na avenida. Cantarolando distraiu-se e esqueceu-se de que se tratava de via levemente íngreme, afinal dizem que para baixo todo santo ajuda.
O farol vermelho o alertou do perigo, como frear aquele peso e naquela velocidade? Canteiro com motos correndo de um lado, carros estacionados de outro, nenhum terreno ou praça para desviar em segurança, tão pouco era possível mudar de faixa. O cheiro de borracha queimada de sua bota ficou insuportável e todos pararam curiosos...
No primeiro cruzamento nenhum veículo, conseguiu passar ileso, mas no segundo já havia um carro, daqueles importados, estacionado aguardando o farol abrir. Aguentou firme o calor provocado pela fricção com o asfalto e conseguiu evitar o “engavetamento”, parou a menos de 10 cm de distância. Alívio, poderia ter morrido prensado entre os dois carros.
Alheio a tudo, o motorista à sua frente permanecia falando ao celular e nem percebeu o sinal verde para seguir caminho.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

É tudo verdade!

Festival de cinema exclusivamente de filmes documentários, está acontecendo esta semana no Rio e em São Paulo e é, definitivamente, acontecimento a ser comemorado.

As salas este ano mudaram, mas a amostra segue apresentando gratuitamente todos os seus filmes.

Ótima oportunidade para conhecer histórias reais e divertir-se. Mais informações: http://www.etudoverdade.com.br/