domingo, 10 de julho de 2011

A vida não será mais a mesma...

O curso de jardinagem, sonhado há anos e concluído há algumas semanas, em princípio, seria a excentricidade do ano, um colorido à rotina. Mas as aulas de informática são incomparáveis!
Não, não vou mudar de profissão, nem estou freqüentando aula da terceira idade ou de adolescentes, apenas integro um grupo heterogêneo que está aprendendo conceitos utilizados diariamente pelos usuários de uma forma mais técnica.
Digitar propositalmente a senha errada, só para certificar-se de que se trata do site verdadeiro é um dos ensinamentos simples aprendidos: só você e o banco, por exemplo, sabem sua verdadeira senha. Ao digitar errado e conseguir o acesso, ou receber mensagem de erro sem dizer expressamente que a senha está errada, fica evidente que estão clonando a página. Básico e importante, não?

sábado, 2 de julho de 2011

Passeatas - sim. Na Paulista, não!

Cada vez está mais difícil caminhar pela Avenida Paulista: se durante a semana há o grupo de pesquisadores que te param e perguntam de tudo, geralmente para alguma campanha de marketing, e o pessoal da pedicheira, geralmente ligados a alguma ONG -  no final de semana há os protestos.

Lógico que atrapalha menos o trânsito bloquear a passagem em dia não útil, mas por que protestar na Paulista e não no centro da cidade que tem rua de pedestre, por exemplo?

Em menos de uma hora, percebi três aglomerações. Na primeira, pessoas segurando balões de gás em formato de bichos gigantes bloqueavam o corredor de ônibus no sentido Paraíso; as frases eram relacionadas a espécies em extinção e havia um cartaz contra o Código Florestal, mas nenhum abaixoassinado que eu pudesse aderir. Na segunda, as pessoas dançavam ao som de “se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão...” e carregavam cartazes reivindicando Diretas já e para que não houvesse medo da imprensa. Atravessei a rua e fui pegar um panfleto.

A ideia da segunda manifestação pareceu-me original e de certa forma coerente: defendem que haja mais referendo e mais plebiscito no país. Perderam uma ótima oportunidade de confraternizar com o pessoal ambientalista da quadra anterior, pensei, pois teria muito mais sentido às pessoas explicar exemplificando: referendo como requisito para início da vigência do Código Florestal não seria nada mal...

Retornando do trajeto, percebi que o vão do MASP estava lotado. Não vi cartazes, nem ouvi música, apenas carros da imprensa zanzando nos dois sentidos da Paulista. Resolvi passar pelo corredor polonês de motos da Polícia no Trianon, certamente descobriria pela mídia do que se tratava.

Em casa, nenhuma linha li sobre o protesto ecológico, a reivindicação das Diretas Já só foi mencionada como movimento pela ética e aquele bando insonso em clima de azaração era a tal da “marcha da macoha”. Francamente! Em qualquer lugar que eles fossem se reunir a imprensa iria atrás e, pela cobertura que tiveram e pelo o que eu presenciei, o assunto está sendo ampliado demais.

Lembro que nas aulas de interpretação de texto no colégio líamos os jornais tentando identificar o que estava deixando de ser noticiado e os motivos políticos, econômicos e sociais para a escolha. Algo parecido ocorreu hoje na Paulista: três protestos, porém um apenas pode ser considerado noticiado. Não publicar sobre um fato é censurá-lo, da mesma forma, mencionar um movimento na mídia invariavelmente é dar-lhe força. Resta saber o real motivo da imprensa evitar alguns assuntos em detrimento de outro.

 * * *


 
Mesmo com tantas manifestações, deparei-me com a cena acima na Fiesp (nº 1313) e fiquei sabendo que estava ocorrendo uma temporada de teatro contemporâneo, uma parceria Fiesp e British Council. Resolvi participar, lógico.

Quem assiste da rua não tem noção da história que é contada para o único espectador que fica dentro da caixa. Imagine cenas de filme em preto e branco nas quais você está literalmente no centro delas - resumindo, essa é a ideia. Tudo é muito mais rápido dentro do Black Box do que na plateia. Criatividade e performance 10! Achei o máximo uma peça só para mim, mesmo que durando 5 minutos - e parece-me que os outros participantes também gostaram bastante.

Além dessa peça, Une Boite Andalouse, projeto do coletivo Bootworks Theatre que é inspirada no filme Un Chien Andalou (de 1928), há duas outras, apresentadas respectivamente na Fiesp e no Ibirapuera, até dia 10 de julho.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Biologia Quântica

Kandinsky, uma exposição dele foi o que me ocorreu ao voltar para casa após a palestra. O pintor atribuía sons às cores e às formas, mas todas as releituras de suas obras - naquela exposição - eram apenas telas, nenhum artista ousou o óbvio: tocar instrumentos ou sons naturais para que as pessoas localizassem as respectivas obras originais.

Na palestra foi assim, senti-me como alguém que ouve música e dança a melodia dentre pessoas que se espremem e se acotuvelam para conseguir ver.

O evento ocorreu na UMAPAZ - Universidade Aberta do Meio Ambiente e Cultura de Paz, um departamento da Secretaria do Verde da cidade de São Paulo (não é a escola de jardinagem, também subordinada à Secretaria), as tradutoras trabalharam muito bem e o palestrante, professor francês Philippe Bobola, foi muito didático.

Enzimas, reações químicas e física quântica certamente outros saberão explicar melhor do que eu, mas a comprovação científica da responsabilidade que temos pelo que somos (incluindo saúde) foi o tema exposto. Os exemplos de como somos responsáveis, e não vítimas, pelas doenças (tempo não adaptado à vida) que temos (mesmo genéticas) foram os seguintes:

- Qualquer evento que altere o futuro da forma como deveria ser é um conflito. Se ocorrido de forma inesperada, é um choque. Não adaptar-se à nova realidade geraria a doença. Resolver o conflito é curar-se.

- Câncer seria envolver-se em um conflito sem solução, como a perda de alguém querido. Depois que o outro morre, não há o que ser feito aparentemente. O local em que o câncer se aloja é a dica que se tem para diagnosticar a origem do conflito.

- Estresse seria não decidir ou decidir de forma desarmônica entre as possibilidades que se tem.

- Não agir em relação ao conflito, sentindo-se sem opção, causaria diabetes. A falta de opção decorre do status da pessoa. Agredir ou fugir, que são as possibilidades de ação, não são tomadas porque a pessoa não continuaria socialmente com o mesmo status. Ela tem potencialidade para agir, mas prefere não fazê-lo, tal qual seu organismo passa a fazer em relação ao açúcar no corpo.

- Já as proteínas, que nos sustentam, especializam as células e permitem os movimentos, têm relação à emancipação. A esclerose múltipla seria um ataque às proteínas da pessoa que não consegue se emancipar.

- Lipídio é uma proteína que foi estudada mais profundamente, sua função tem relação ao limite e sua característica, como toda gordura, é não se misturar à água. Logo, as pessoas que tendem a se isolar tendem a ter mais lipídios, o seu conflito seria a falta de comunicação com os outros. Já o anoréxico tem excesso de água, seria  a reação de alguém que sofre rejeição e quer voltar a um momento de aceitação plena, como no líquido amniótico.

- Perder a memória seria fugir ao conflito existente no presente e hipertensão, demosntração de insegurança frente ao conflito.

Note-se que a utilização do subjuntivo tem sua razão de ser: trata-se de anotações de alguém que não tem conhecimento técnico, apenas vivência nas situações acima. Estará acontecendo até terça um seminário com o professor, no total de 4 dias. Fiquei aguardando o e-mail com as informações (local, preço) para poder repassá-las, mas isso não ocorreu. Pelo que conversei com os demais participantes no coffe break, há vários livros sobre o assunto.