quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Indo às compras

O desapego tem se mostrado a melhor publicidade subliminar do capitalismo. O mecanismo é simples: como terei que aprender a ficar sem, adquiro qualquer coisa - e como é qualquer coisa nem preciso preocupar-me se vai durar, pode até ser descartável, é mais para dizer "tenho ó". Afinal, em qualquer grupo, ai de você se não tiver "x" (uma variável que muda conforme o grupo).

Outro senso comum é a necessidade de não estagnar energia. Dessa forma, o que você não usa, tem que doar, nem que seja para o cesto do lixo. O entusiasmo de ser um ser altruísta, que trabalha para propiciar aos outros o acesso a bens que você mesmo não curtiu como deveria, e o maior espaço livre nas prateleiras são um novo convite ao consumo.

Lógico, pelos dois parágrafos acima, que não me enquadro no citado contexto - reflito muito antes de me desfazer de alguma coisa e, talvez por isso, também antes de adquirir. Como tudo, há ônus e bônus, como ser surpreendida com a descontinuidade de um produto ou achar algo no armário que era exatamente o que você estava precisando e nem se lembrava que tinha.
 
Gosto muito de novidades, acho divertidíssimo testar produtos novos e devo contar nos dedos as vezes em que repudiei um "test-drive". Só que também fico sem chão quando não encontro o que estou acostumada.
 
Fiquei empolgadíssima quando aprendi a fazer tapioca, mais ainda com o leite condensado light. Acho que pararam de fabricá-lo. Fiquei triste com a constatação e depois de uns dias resolvi que eu merecia ao menos um brigadeiro. O meu abridor, companheiro há mais de década, movido a manivela, não encaixava na lata de formato irregular - não sei o motivo da troca da embalagem, mas senti-me mais perdida ainda com a lata fechada na minha frente. No final deu certo, mas é mais provável que eu mude de embalagem do que de abridor.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

PMBOK

Eureka! Foi essa a minha reação, há alguns anos, quando descobri o significado da sigla acima. Alguém havia explicado didaticamente o que eu sempre fizera instintivamente, de certa forma contrariando o senso comum.
 
É simples: somos programados para trabalhar nos dias úteis, acordar em determinados horários, ensinados a não "pular refeições" etc. O final de semana e os feriados, junto com as férias, são o momento em que podemos não fazer isso - mas acabamos repetindo o básico do dia a dia; diferente mesmo é o local em que se pratica a "nova rotina". A vida torna-se um processo, ou seja, uma sucessão de atos preordenados e previsíveis - um tédio para alguns.
 
Mas também é possível viver os processos considerando-os como projetos, um pelo menos para cada papel desempenhado na vida: "projeto família", "projeto amigos", além do martelado "projeto profissional". Assim, você acorda cedo não porque precisa trabalhar, mas porque é necessário ao seu projeto "casa própria", "carro novo", "férias dos sonhos" ou "liberdade financeira". Cada um resolve o projeto que vai priorizar e qual será engavetado, o que gera uma motivação constante.
 
Mudar de projeto não significa que os processos precisem ser revistos, nem mudar de processos significa novo projeto. Viver a vida como vários projetos interrelacionados entre si foi o que extrai de meus estudos de PMBOK (profissionais da área que me perdoem, mas foi a melhor utilidade que tive da leitura). 
 
Um feriado em casa, por exemplo, em uma vida de processos, tenderia a ser frustrante. Agora, em uma vida de projetos, é possível "tirar da gaveta" algum projeto de amizade, criar um projeto de programa ao ar livre e até estabelecer a meta de não enfrentar fila. Nem é preciso brainstorm para montar vasto rol de possibilidades, a dificuldade está em acertar nas escolhas - ou saber revê-las a tempo.

domingo, 2 de setembro de 2012

Cantigas infantis em novas versões

Tenho percebido a dita mudança de parâmetro muito mais como uma mudança de nomes do que alguma alteração significativa. Algumas das coerografias e músicas do atual universo infantil, que alguns incentivam e outros se escandalizam, é um exemplo.
 
Eu achava tristíssimo saber que o boi tinha morrido e ficava com pena da vaca, anos depois é que descobri que havia touro, que a vaca talvez até tivesse vivido melhor sem o boi. Para a criança urbana, parece-me mais adequado cantar
 
"Muita água ferveu
não será desperdiçada
pinga um limão, qu'esfriando
vira limonada"
 
Simples, com coreografia acessível a todas gerações e - se houver algo que a criança pergunte - terá uma explicação ecologicamente correta.
 
* * *
 
Provavelemente muito pouco se sabe sobre o Itororó de quando "lançaram" a famosa cantiga, quando a criança perguntar seu significado, talvez mais confusa fique, ou então vai compreender a convenção de uma relação superficial (tem versões que o cantor encontra e deixa a linda morena, em outras encontra e beija, sendo ela totalmente desprovida de vontade). Para que o inconsciente não grave tal convenção, algumas sugestões:
 
Fui na biblioteca,
Muitos livros encontrei
Li histórias divertidas
Com certeza voltarei.

Fui na biblioteca
Com as letras eu brinquei
Pintei lindos desenhos
Com certeza voltarei.

Fui na biblioteca
Muitos vídeos encontrei
Achei divertido
Com certeza voltarei
 
Certamente existem versões mais criativas, o que não dá é para estimular quem às vezes sequer está falando a atirar o pau no gato...