segunda-feira, 31 de agosto de 2015

O "apagão" foi mais justo

No final do século passado, sem prévio aviso, faltou luz em grande parte do território nacional, por mais de hora. O evento ficou conhecido como apagão. Na época, a partir do histórico de consumo, quem economizasse recebia desconto na conta de luz e quem consumisse a alíquota mínima (realidade de São Paulo, em que use ou não paga-se 50Kws) ficaria com o crédito e nada pagaria pela conta.

A situação foi a oportunidade para inclusão no mercado das lâmpadas econômicas (hoje, a maioria o são) e economizar consumo tornou-se muito fácil. O investimento que faltou à infraestrutura pública, o consumidor fez em casa.

Quinze anos depois, o risco de apagão voltou a ser uma ameaça. A falta de infraestrutura não foi admitida e coube às mudanças climáticas a responsabilidade pelo iminente caos. A medida governamental, mais uma vez, transferiu o custo da ausência de infraestrutura – porém com outro mecanismo: aumentando a tarifa sem qualquer desconto.


Não são todos os Estados que definem tarifa mínima. Já reclamei para a Aneel e disseram que pode. Por exemplo, aqui em São Paulo, pessoas que economizam e usam menos de 50Kw estão pagando a bandeira vermelha (custo mais alto) pelos 50Kw e nada economizam. No meu caso, praticamente pago o dobro por uma quantidade de energia que nem uso, nem posso compensar nos meses seguintes.