terça-feira, 26 de junho de 2012

Ser leitor de biblioteca é exercer cidadania

O professor pediu-nos para ler um livro. Eu e os demais alunos não o encontramos disponível na Internet. A grande probabilidade de ser leitura única, específica para uma aula, desmotivava sua compra... foi então que me lembrei das bibliotecas.

O download de arquivos pode ser considerado hábito consolidado em uma democrática Internet - aos que tem acesso a ela, é verdade. Discute-se bastante os limites da pirataria on line, assim como as fitas cassetes e as copiadoras já foram consideradas vilãs. Penso que o autor tem que ser respeitado, se ele disponibiliza seu trabalho, ok. Se não o faz, que outros não se considerem donos fazendo-o.

Mas pelo retorno financeiro, baixar um texto ou arquivo nem sempre siginifica interesse pelo assunto, ou validação de seu conteúdo. Já na biblioteca, um livro que é muito requisitado e costuma ter lista de espera merece mais um exemplar na prateleira. Sair de casa para poder ler é uma forma de prestigiar quem lhe proporcionará o conhecimento.

O Google pode ser muito eficiente quantitivamente, mas qualitivamente os acervos públicos são mais; mesmo livros recebidos por doação passam por prévia triagem. Considerando então a facilidade de pesquisar o acervo em casa, de, por exemplo, em segundos saber que mais de 40 exemplares estavam dispovíveis, 5 deles em bibliotecas próximas aos lugares que frequento, questionei-me quanto ao hábito perdido.

A ênfase dada hoje é à compra de computadores pelo poder público, à qualidade de conexão de rede e outros itens cibernéticos. Não discuto que sejam importantes, mas são complementares - depender de algo privado, disponível ao público, como a Internet, é aceitar submeter-se, no futuro, à servidão. Sem querer ser alarmista, há muito a informação substituiu a pólvora nas estruturas de poder.

Confesso que não havia visitado a Biblioteca Mario de Andrade (a principal de São Paulo, no centro) após a reforma. Fiquei muito feliz com o que vi. Sem olhar para o lado de fora da vidraça, é possível imaginar-se em qualquer biblioteca de ponta do mundo. Foi enquanto aguardava para retirar o livro que percebi o quanto é importante frequentar bibliotecas. Não apenas para ter acesso à programação cultural gratuita da cidade ou para influenciar-se com a visão de tantas pessoas estudando, mas também para reforçar que há muita gente ávida por conhecimento e é importante disponibilizar gratuitamente informação a todos.

Um comentário:

Marici Slavec disse...

Gostei muito do seu texto.O que tenho observado é que que em breve as bibliotecas serão apenas ponto de encontro para elaboração de trabalhos em grupo. É o que acontece com metade das pessoas que frequentam o CCSP.
Acho maravilhoso termos acesso aos livros pela internet, tais como pelo pelo Google Livros. Estamos em tempos de mudanças. Como sou otimista, espero que para o bem.