segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Boca no trambone

Durante quase três semanas, nos horários mais impróprios, fiquei recebendo ligação telefônica de um mesmo número. Tocava duas vezes e parava. Liguei algumas vezes para o tal número e só ouvia mensagem de que estava fora da área de cobertura. Confesso que demorei um pouco para perceber que a chamada era sempre da mesma linha: até torpedo enviei avisando que estava com dificuldade de dar retorno!

As tais ligações intrigaram-me e conclui que sua origem deveria ser algum presídio. Mais do que ficar alerta, decidi fazer um boletim de ocorrência. Antes, porém, de eu conseguir a informação quanto ao procedimento correto (se teria de ir a uma delegacia ou se seria possível registrar via web) atendi o telefone a tempo: tratava-se de uma promoção da operadora. Aceitei a fidelização em troca do desconto e fiquei mais tranquila, feliz de não ter perdido tempo e de ter evitado o constrangimento de denunciar a operadora à polícia.

Passaram-se os dias e, ontem de manhã, ligaram para a minha família, em um telefone que não utilizo desde 1996, anunciando o meu sequestro e gritando ameaçadoramente as violências de praxe. Isso exatamente em um horário em que eu estava sem celular e longe de qualquer telefone. O trote foi reconhecido logo, mas na dúvida a família resolveu ligar para mim...e eu não atendi. Por outro lado, quando cheguei em casa, percebi que não era normal tantos números famíliares em um curto espaço de tempo. Não tive coragem de ouvir as mensagens gravadas, resolvi ligar logo. Foi com muito alívio que soube o que se passara.

Coincidências costumam ser intrigantes ou cômicas, mas esta eu odiei. Com reflexões a mil na cabeça e muita tensão pelo corpo, resolvi espairecer fazendo algo útil e necessário: fui ao supermercado. "Hoje é o dia do crime", pensei, ao deparar-me com a seguinte imagem ao lado do caixa divulgado como rápido:


Resumidamente, parece-me que o risco assumido por quem se dispõe a praticar extorsão sem conhecer a vítima (que pode ser cardíaca e morrer devido à notícia do sequestro) não é muito diferente do assumido por quem expõem produto perecível em temperatura ambiente (tenho certeza que quem já comeu comida estragada me entende). Nos dois casos, o dano dependerá da saúde e do conhecimento da vítima, que só pagará se não perceber que está sendo enganada.

* * *

Fui alertada de que produtos defumados não precisam de refrigeração. O fabricante limita-se a informar na embalagem que, uma vez aberto, o produto deve ser consumido em 5 dias. Visitei alguns pontos de venda e em todos (inclusive no fotografado acima) os produtos estão expostos sob refrigeração. Questionei ao fabricante, via SAC, na quarta-feira, se o produto pode ir direto da geladeira do supermercado para o armário aqui de casa sem perder sua qualidade. Quando me responderem comunico aqui.

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